Uma das primeiras atitudes em pró da sustentabilidade na construção civil foi à criação e adaptação do sistema LEED (Leadership in Energy and Environmental Design®) norte-americano para o Brasil.
O sistema LEED prevê uma série de normas e regras na qual um empreendimento deve seguir para a obtenção do selo verde. Como eficiência energética, reuso da água, utilização de materiais ecologicamente corretos e certificados, automação industrial entre outros. Esse sistema de “checklist” é o começo para que nossas construções sejam mais sustentáveis, mas ainda é pouco para a melhora significativa do meio em que vivemos.
Não faço aqui uma crítica aos criadores desse sistema, faço aqui uma crítica ao contexto em que estamos criando nossas construções. Sustentabilidade é muito mais que apenas um “checklist” de fatores; devemos sim fazer preencher os pré-requisitos do sistema LEED, mas também analisar cada empreendimento como único, utilizando técnicas, produtos e metodologias específicas para cada empreendimento. O sistema LEED é fechado e sem particularidades de cada empreendimento, o torna um produto e não uma filosofia e um avanço na consciência ambiental.
O Brasil esta aprendendo a consumir nessa década, e pautamos o nosso crescendo em um contexto diferente dos países do hemisfério norte. Temos uma das melhores leis ambientais, mão de obra qualificada disponível para investir em tecnologia e técnicas construtivas diferentes dos padrões americanos. Logo, nossa consciência ambiental se forma de maneira diferenciada, visando não cometer os mesmos erros e criar nossas maneira de consumir e de se relacionar com o planeta.
Quando formos construir nossas edificações, devemos sim seguir o “checklist” indicado pelo LEED, mas devemos fazer muito mais que isso. Devemos investir na singularidade de cada construção: em um empreendimento construído em uma localidade que tem um índice pluviométrico de 800mm, por exemplo, o investimento em um sistema de a coleta de água da chuva pode não ser a melhor maneira de contribuir com o meio ambiente. Já nessa localidade o investimento em fontes alternativas de energia, em mão-de-obra local, pisos e revestimentos de baixo impacto, um sistema de coleta de lixo seletiva e o incentivo a comunidades locais de catadores pode ser uma melhor alternativa para a utilização desse recurso e para o meio ambiente.
Não estou dizendo que não devemos seguir as indicações do LEED, apenas pontuo que o Brasil possui uma realidade diferente e pode indicar e ser o precursor de uma nova mentalidade ambiental global. Pense nisso ao construir seus empreendimentos.
Alexandre Colombo
Biólogo e Design de Interiores |